secagem de madeira ao ar livre

Secagem de madeira ao ar livre em tora para produção de carvão ecológico (parte 2)

Keywords: secagem de madeira, produção de carvão vegetal, secagem de madeira ao ar livre, secagem de madeira ao ar livre, secagem de tora de madeira

Escrito por : Daniel Camara Barcellos email: danielbarcellos@live.com

ROTEIRO DO ARTIGO

Veja o que você vai aprender neste artigo épico, mas antes clique aqui para acessar a parte 1 deste artigo que apresenta fundamentos importantes para seu conhecimento.

  1. Fundamentos importantes sobre secagem de madeira ao ar livre.
  2. Relação cerne/alburno da tora de madeira e a sua secagem
  3. Densidade básica da madeira e sua secagem
  4. Diâmetro e frequência de poros da madeira e sua secagem.
  5. Diâmetro da tora de madeira e sua secagem.
  6. Comprimento da peça de madeira e sua secagem.
  7. Secagem com casca e sem casca na madeira
  8. Resinas e a influencia na secagem da madeira.
  9. O problema das gminospermas na secagem
  10. O efeito da temperatura ambiente na secagem de madeira
  11. O efeito da umidade relativa na secagem de madeira
  12. O efeito da chuva na secagem da madeira em toras
  13. O efeito da ventilação natural na secagem das toras de madeira.
  14. Umidade da madeira vs finos de carvão.
  15. Umidade da madeira vs rendimento gravimétrico do carvão
  16. Umidade da madeira vs ciclo de carbonização
  17. Umidade da madeira vs manutenção de fornos de carvão

Fundamentos iniciais  de secagem de madeira ao ar livre para produção de carvão ecológico

fundamentos de secagem

Este artigo épico tem o objetivo de apresentar o estado da arte da secagem de madeira ao ar livre para produção de carvão vegetal.

Alguns conceitos foram apresentado em outro artigo épico: Secagem de madeira natural para produção de carvão ecológico (parte 1).

Neste artigo vamos explorar as consequências de secar ou não ao madeira ao se produzir carvão ecológico.

Entender de secagem de madeira ao ar livre é essencial na cadeia produtiva do carvão.

A produção de carvão vegetal do futuro irá explorar cada vez mais a secagem de madeira ao ar livre e também a secagem artificial com o uso de estufas.

Mas como será o processo de secagem de madeira ao ar livre para a produção de carvão?

O que acontece com o carvão ecológico produzido com madeira seca e com madeira úmida?

Neste artigo você aprenderá que a secagem de madeira ao ar livre está ligada intimamente ao conceito de produção de carvão ecológico.

O processo de secagem é influenciado por uma série de fatores, tanto relacionados com o ambiente, como intrínsecos à própria madeira.

Para que você alcance o sucesso em um negócio de carvão ecológico, você precisa  conhecer como a madeira se comporta frente a secagem ao ar livre.

A secagem da madeira é uma das fases  mais importantes para a produção de carvão, proporcionando a redução da massa de  água presente na madeira que:

  • Diminui o custo com transporte (devido ao menor peso);
  • Aumenta o rendimento gravimétrico (gerando melhor conversão);
  • Reduz o tempo de carbonização (maior produtividade);
  • Reduz a geração de finos de carvão;
  • Reduz a emissão de gases poluentes;
  • Melhora o controle da poluição (quando fábrica de carvão ecológico).
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Fatores internos da madeira para sua secagem

Iremos agora discutir algumas propriedades da madeira que influencia de forma significativa na secagem de madeira ao ar livre

Iremos explorar neste artigo épico

1.      A relação cerne alburno da madeira

2.      A densidade básica da madeira

3.      Diâmetro e frequência de poros da madeira

4.      Diâmetro da tora de madeira

5.      Comprimento da tora de madeira

6.      Presença/ausência de casca na tora de madeira

7.      Presença de extrativos/resinas

8.      Gimnospermas vs angisopermas

Relação cerne/alburno e a influência na secagem de madeira ao ar livre

cerne e alburno e secagem da madeira

A água desloca-se mais rapidamente no alburno do que no cerne. O cerne da madeira está parcialmente bloqueado por extrativos.

O cerne é a parte mais interna e mais dura dos troncos de uma árvore.

Cerne são as camadas internas de uma árvore que aparecem quando cortadas transversalmente (geralmente de coloração mais escura) .

O cerne é designação dada à parte tronco que já não participa activamente na condução de água, assumindo uma função essencialmente de suporte mecânico da estrutura da planta.

Ocorre um aumento da relação C/A (cerne/alburno) à medida que se aumenta o diâmetro da tora de madeira.

Toras de madeira de menor diâmetro e obtidas nas partes superiores das árvores apresentam menor quantidade de cerne e maior de alburno pois apresentam maior proporção de madeira mais jovem, que ainda não sofreu o processo de cernificação.

Para produção de carvão, visando favorecer a secagem de madeira ao ar livre, devem-se buscar espécies ou clones que apresentem maior proporção de madeira de alburno em relação à madeira de cerne.

No alburno os vasos não estão obstruídos, facilitando o fluxo de gases e líquidos, favorecendo a saída de água da madeira.

Densidade básica e a influencia na secagem de madeira ao ar livre

Densidade básica e a influencia na secagem detoras de madeira natural

Geralmente menores densidades da madeira favorecem o processo de secagem de madeira ao ar livre.

A água da madeira  desloca-se e mais rapidamente em madeiras de baixa que de alta densidade.

A baixa densidade apresenta madeira com maior conteúdo de espaços vazios, representado pelos lumes dos vasos e fibras.

Na árvore viva, com uma menor densidade, provocará maior acúmulo de água no tronco, refletindo no elevado teor de água na árvore recém-colhida.

Mas, durante a secagem, a baixa  densidade associada à alta permeabilidade da madeira apresentará elevada taxa de saída de água, reduzindo o tempo de secagem.

Diâmetro e frequência dos poros e a influência na secagem de madeira ao ar livre

Diâmetro e frequência dos poros e a influência na secagem de madeira natural

A movimentação da água radial (acompanhando os anéis do tronco)  é mais rápida do que na direção tangencial (atravessando os anéis).

Considerando na secagem de madeira ao ar livre em tora, maiores frequências dos vasos associadas aos maiores diâmetros seriam interessantes, pois favoreceriam a movimentação da água, facilitando a saída de água da madeira.

Entre frequência e diâmetro, geralmente o diâmetro dos poros é mais importante do que a frequência.

Na prática é melhor ter poros “largos” pois são mais difíceis de serem obstruídos, do que poros estreitos

Geralmente alburno possui poros mais “largos” enquanto que no cerne poros mais “estreitos” em uma maior frequência.

Assim, devem-se selecionar espécies ou clones que apresentem maior proporção de madeira de alburno, mesmo esta região apresentando menor frequência de poros, pois, a permeabilidade à passagem de líquidos associada aos maiores diâmetros médios dos vasos favorecerem a saída de água da madeira, resultando em menores tempos de secagem.

Influência do diâmetro da peça na secagem de madeira ao ar livre

diâmetro da tora de madeira e sua secagem natural

Toras com maior diâmetro apresentarão maior quantidade de água ao longo de toda secagem da madeira natural.

Toras com diâmetros menores apresentarão menor quantidade de água ao longo de toda secagem natural.

Variação de diâmetro da tora de madeira implica em heterogeneidade de carga e problemas de controle de processo.

Assim, além da região e permeabilidade da madeira, o diâmetro das toras deve ser avaliado e a secagem ao ar livre de madeira em toras é influenciada pelo diâmetro da tora, que está relacionado à distância a ser percorrida  pelas moléculas de água do interior para a superfície da madeira.

Dessa forma, durante o empilhamento da madeira de eucalipto no campo para secagem ao ar livre, sugere-se a separação das toras por classe de diâmetro para obtenção de maior homogeinidade  dos teores de umidade e melhor planejamento florestal.

As toras de menor diâmetro que apresentam maior taxa de secagem e consequentemente demandam de menos tempo para atingir menores teores de umidade devem ser transportadas para as unidades de produção de carvão vegetal antecipadamente às toras de maior diâmetro, que necessitam de maior tempo de secagem para redução do teor de umidade.

Diâmetros menores favorecem a produção de carvão ecológico

Influencia do comprimento da peça na secagem de madeira ao ar livre

efeito do comprimento da tora de madeira na secagem

A movimentação longitudinal da água é em média de 10 a 30 vezes mais rápida do que a  movimentação lateral.

Quanto mais comprida a madeira mais complicada é a secagem de madeira ao ar livre.

A velocidade de secagem é em média 20 vezes mais rápida no sentido do comprimento da peça, isso significa que peças curtas secam muito mais rápido que peças compridas.

Quando a umidade chega na ponto de saturação das fibras o fator comprimento se torna mais evidente.

A difusão da água no sentido radial da tora abaixo do ponto de saturação das fibras é extremamente lento e o que predomina é a secagem no sentido longitudinal.

Quanto mais comprida a peça, mais tempo será necessário para peça secar isso implica em capital imobilizado no campo e/ou perda de rendimento e produtividade na fase de conversão da madeira em carvão.

velocidade de secagem na tora de madeira sentido das fibras

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Presença/ausência de casca  na secagem de madeira ao ar livre

casca de madeira e a secagem da tora

A presença da casca retarda a secagem das toras.

A dificuldade da secagem com a presença de casca se deve principalmente ao impedimento físico  que a casca oferece e a redução da área superficial.

A casca quando aderida ao lenho, afeta a saída de  água e consequentemente, a secagem de madeira ao ar livre.

A casca tem uma substância denominada suberina que aumenta a impermeabilidade de todo o conjunto  (lenho/casca) a água.

Considerando  um tempo constante de secagem em processos mecanizados entre 180 e 200 dias espera-se para eucalipto:

Umidade média final de 10-15 pontos percentuais acima para madeira com casca. Isso significa em termos relativo uma quantidade de água de 20-50% superior na madeira com casca considerando um mesmo tempo de secagem.

A casca de da espécie pinus é muito espessa e para secagem de madeira e produção de carvão ecológico é um grande dificultador.

Na maioria dos estudos científicos existe grande variação de resultados, motivado por inúmeras outras variáveis, no entanto percebe-se uma tendência média geral para os valores supracitados.

Uma opção para otimizar a secagem seria descascar a madeira, no entanto nem sempre este custo cobre o capital imobilizado e a perda de produtividade e rendimento em carvão vegetal.

Importante destacar que a presença de casca tende a ter maior influência na perda de água pela madeira nas primeiras  semanas de secagem.

A diferença no teor de umidade (entre madeira com casca e sem casca) torna-se menos acentuada,  transcorrido maior tempo de secagem, quando a umidade das toras aproxima-se de 30% (base seca).

A apresentação de resinas ou extrativos

resinas atrapalham a secagem da madeira natural

Espécies que possuem certos extrativos podem ter problemas sérios de secagem.

Um exemplo típico seria o pinus. a saída de resina da madeira costuma fechar os poros da madeira geralmente no topo (onde foi cortada) na sua secção transversal.

A resina ao se impregnar no secção transversal impede o fluxo de água no sentido das fibras (sentido longitudinal).

Como já foi explicado, o fluxo de água na madeira no sentido longitudinal é de 10-20 vezes mais rápido do que no transversal.

Quando secagem predomina no sentido transversal  o processo de secagem da madeira se torna muito lento.

Fique atento a apresentação de resinas e outros componentes da madeira que podem atrapalhar a secagem de madeira ao ar livre e artificial.

Caso não consiga contornar este problema recomenda-se ajustar o seu ciclo de secagem e utilizar de todos os recursos aqui apresentados neste artigo épico sobre secagem de madeira ao ar livre para produção de carvão ecológico.

Gimnosperma vs Angiosperma

pontoações areoladas em gimnospermas atrapalham a secagem de madeira natural

No Brasil predominam arvores do gênero Angiosperma. São arvores que tem uma estrutura anatômica mais complexa da madeira.

Podemos dizer que as angiospermas são estruturas de madeira mais evoluídas e são comuns nos países tropicais.

Um exemplo de espécie do gênero angiosperma é o eucalipto.

As gimnospermas são arvores mais comuns em climas temperados e possuem uma estrutura anatômica de madeira mais simples.

Um exemplo de  espécie do gênero gimnosperma é o pinus.

Existe um mecanismos nas gimnospermas que dificulta muitas vezes a secagem.

As gimnospermas possuem pontoações areoladas enquanto que as angiospermas apresentam pontoações simples.

As pontoações areoladas são as comunicações entre as fibras de madeira. Quando a secagem acontece muito rapidamente essa pontoação se fecha automaticamente e água agora não passa mais tão facilmente entre uma fibra e outra.

É como se colocássemos um tampão no ralo, e agora a água só migra de uma célula para outra pelo processo de difusão que aprendemos no artigo épico anterior.

O processo de difusão é muito lento e consome muita energia no processo de secagem de madeira.

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Fatores externos para secagem de madeira ao ar livre

Temperatura ambiente e a secagem ao ar livre de madeira

temperatura elevada acelera a secagem de madeira

A quantidade de energia do sol que chega a superfície terrestre em média é de: 290 Kcal/m2/dia. (1/4 da constante solar) .

Quando a insolação é indireta a quantidade de energia que chega ao solo é de 30-60% deste valor ou algo entre 86-174 Kcal/m2/dia.

Estes seriam valores a serem usados sob sombra ou nebulosidade.

Interessante buscar um atlas solarimétrico os valores da média solarimétrica do seu local de exploração florestal.

Abaixo apresentamos  dois exemplos de média solarimétrica anual

Petrolina no Pernambuco tem uma insolação anual média de 19,7MJ ( 4800 Kcal/m2/dia)

Porto Alegre no Rio Grande Sul tem uma insolação média de 15,00 MJ (3585 Kcal/m2/dia).

O albedo médio, que é capacidade média de absorção da madeira vai variar em função da cor da superfície da própria madeira.

Como exemplo, um corpo de cor preta terá absorção entre 85-95%¨.

Enquanto que um corpo de cor branca (como a neve) terá absorção de 5-10%

Madeira de cor mais clara absorvem menos energia do sol enquanto que madeira de cor escura absorve mais energia do sol.

Considerando que grande parte da madeira para carvão é produzida em regiões de caantinga, iremos usar valores de albedo comuns a “caatinga”.

Uma floresta quando cortada rapidamente perde a cor verde e ao secar adquire visual parecido ao da caatinga de cor “palha” ou seca.

O albedo de uma caatinga (cor palha) absorve  entre 10-15% da energia de insolação diária.

A titulo de ilustração, um pasto de cor verde intensa, absorve algo em torno de 20-30% da radiação solar.

Caso se formem pilhas de madeira é de se esperar uma absorção difusa nas peças de madeira que ficam sombreadas.

Os valores indiretos devem ficar abaixo de 30% da absorção do albedo.

Exercício de secagem de madeira ao ar livre

exercicio de secagem de madeira natural

Iremos agora realizar um exercício prático de secagem de madeira ao ar livre em que calculamos o tempo de secagem em um local com condições ideais de secagem e com algumas características específicas da madeira.

Considere agora as seguintes informações a seguir para seu estudo.

  • Tora de 3 m de comprimento
  • Diâmetro de 0,16 m ( 0,50 m perimetro)
  • Área superficial ( 1,50 m2)
  • Volume: 0,06 m3
  • Densidade: 500 kg/m3
  • Madeira em peso: 30 Kg
  • Percentual de água (Base seca): 120%
  • Quantidade de água: 36 Kg
  • Absorção de 12% (função do albedo)
  • Superfície exposta 40% (0,60 m2)
  • Secar de verde (120%) até UHE (16%)
  • Local: Rio grande do sul (4.800 Kcal/dia)

Resolução do exercício de secagem de madeira ao ar livre

Passo 1 – Calcular a energia para eliminar a água  até o ponto de saturação das fibras

Quantidade de energia para secar de 120% até 30% (Q1)

Q1 = 27 litros de água x 529 Kcal = 14283 Kcal

ATENÇÃO: A constante para remover a ÁGUA LIVRE é 529 Kcal/litro

Passo 2 – Calcular a energia para eliminar a água até o ponto de U.E (Umidade de Equilíbrio)

Passo 2 Quantidade de energia para secar de 30% até 16% (UEH) (Q2)

Q2 = 4,2 litros de água x 869 = 3650 Kcal

Quantidade de Energia QT = Q1+Q2 = = 14.283+3.650 = 17.933 Kcal

ATENÇÃO: A constante para remover a água adsorvida é 869 Kcal/litro

Passo 03 – Calcular a energia absorvida/dia na madeira na região.

QA = (4800 Kcal/m2/dia) x (1,5 m2 de superfície da tora) x (12% de energia solar absorvida pela tora) x (40% de superfície da tora exposta diretamente ao sol) X (33% de eficiência de secagem influenciada por todos os outros fatores)

Q A = 114 Kcal/dia

Passo 04 – Calcular quantos dias são necessários para secar a tora de madeira

Calcular os dias de sol necessário para secar a tora na U.E. (dias de exposição)

DE  = QT/QA = 17.933/114 =  157 dias.

Se tudo correr bem e as condições forem favoráveis será necessário 05 meses para esta madeira chegar na sua umidade de equilíbrio.

Mas sabemos que na vida prática que nem sempre as condições acima acontecem, temos efeito de microclima, temos efeito de época do ano, temos efeito de chuvas, dentre muitos outros.

Umidade relativa do ar na secagem da madeira ao ar livre

umidade do ar e a secagem natural de madeira

A umidade relativa no Brasil varia entre 20-100% função de região e da estação do ano.

Mas então o que podemos fazer?

Em termos de umidade não podemos alterar o macro clima, mas podemos alterar o microclima.

O microclima sera as condições ambientais no entorno da tora

As formas de melhorar o microclima (reduzir  a umidade  relativa no entorno das peças de madeira) seria:

  • Evitar a presença e densidade elevada de vegetação próximas ou abaixo das toras de madeira cortada. As toras devem estar em áreas “limpas”.
  • Evitar a formação de pilhas de madeira “altas”. As toras devem ficar o mais espalhada possível para receber o máximo de ventilação
  • Evitar formar pilhas de madeira em regiões não drenadas. As toras de madeira devem ficar em solos secos e de fácil escoamento de água
  • Tentar alinhar as toras no sentido do vento predominante, para que o ar atravesse as toras no sentido do seu comprimento.

toras de madeira empilhadas e o efeito na secagem

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Precipitação pluviométrica na secagem de madeira ao ar livre

chuva e secagem de madeira natural

Um pouco diferente da umidade , não podemos fazer muita coisa com a relação a influencia da precipitação nas toras.

Existindo chuva a madeira vai molhar e de uma certa forma irá atrapalhar o processo de secagem de madeira ao ar livre.

Toras com casca são bem mais problemáticas com relação precipitação pluviométrica.

A casca absorve muito mais facilmente a água (umidade) que a própria madeira.

Uma madeira sem casca quase não absorve água, pois a água escorre muito facilmente quando em contato com lenho.

Uma alternativa para minimizar o problema com o binômio casca-chuva seria descascar a madeira desde que a viabilidade econômica permita.

Outras alternativas seriam usar dos mesmos artifícios citados no capítulo referente a  umidade relativa para minimizar o microclima e diminuir assim o efeito da chuva na umidade da madeira.

Uma vez seca a madeira, uma alternativa seria levá-la para uma área coberta, ou cobri-la com algum material impermeável.

No entanto esta medida de cobrir a madeira em si é pouco efetiva perto das alternativas aqui apresentadas.

Ventilação e a secagem de madeira ao ar livre

efeito da ventilação na secagem de madeira natural

Toda dona de casa sabe que quando se está ventando as roupas no varal secam muito mais rápido (do que quando não está).

A ventilação natural muitas das vezes acaba sendo mais importante do que propriamente a temperatura.

A ventilação “remove” a camada superficial de água na madeira criando e favorecendo a difusão de água dentro da madeira.

A água sai da região mais úmida (centro da madeira) para a região mais seca da madeira (superfície externa)

Quanto maior o gradiente de umidade entre centro da peça e sua periferia mais rápida e a secagem natural da madeira.

Importante que as toras de madeira estejam em locais ventilados e que a forma como são arranjadas permita ventilação completa.

Com bom planejamento e bom senso no momento da colheita da madeira, resultados incríveis podem ser alcançados em termo de secagem de madeira natural.

Época do ano

secagem de tora de madeira natural em função da época do ano

A secagem ao ar livre é influenciada pela época do ano em que ocorre, devendo atentar-se para o clima da região onde a secagem da madeira está sendo realizada.

Geralmente a umidade de toras secando no verão atingi certo grau de estabilidade em um período mais curto do que  enquanto pilhas instaladas no inverno.

No verão brasileiro em média, os valores finais de umidade tendem a ser 8-10% menores relação ao inverno (desde que a pluviosidade não interfira significativamente).

Em regiões de verão chuvoso aliado a problemas de microclima o resultado pode ser o inverso do apresentado no parágrafo anterior.

Regiões frias e chuvosas geralmente trazem grandes problemas para a produção de carvão vegetal.

Baixas temperatura no inverno, aliado a umidade relativa elevada e chuvas de inverno trarão grandes problemas de secagem e consequentemente de produção de carvão ecológico.

Regiões secas de vegetação típica (cerrado e caatinga) favorecem em muito a produção de carvão vegetal, pois aliam elevada temperatura, baixa umidade relativa e baixa precipitação pluviométrica.

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Problemas da umidade da madeira na produção de carvão vegetal

Finos de carvão e umidade da madeira

água na mdeira e fendilhamento e finos do carvão

O PERCENTUAL DE FINOS EM MÉDIA AUMENTA EM 0,3% A CADA 1% DE UMIDADE DA MADEIRA.

produção de carvão com madeira úmida gera um carvão quebradiço, elevando o teor de finos (pó) durante o manuseio e transporte do carvão.

Madeira com umidade elevada na região central (no cerne) dará origem a carvão fendilhado, ocasionado pelo aumento da pressão de vapor no interior da tora de madeira.

O carvão fendilhado é menos resistente com maior predisposição à geração de finos.

As trincas e fissuras internas do carvão constituem-se em zonas de concentração de tensão.

As concentrações de tensão podem ser atribuídas à impermeabilidade do cerne da madeira.

Quando uma peça de madeira seca, o alburno seca rapidamente e a umidade do cerne é retirada com dificuldade devido à menor permeabilidade.

Nessas condições, a pressão de vapor dos gases aumenta no interior das fibras, podendo ocorrer ruptura celular das fibras com o desenvolvimento das trincas e geração elevada de finos de carvão.

As fissuras também reduzem a resistência mecânica do carvão vegetal deixando-o mais frágil.

Rendimento de carvão e umidade da madeira

rendimento gravimétrico do carvão e a umidade da madeira

O PERCENTUAL DE CARVÃO VEGETAL AUMENTA EM 0,40% A CADA 1% DE REMOÇÃO DE UMIDADE DA MADEIRA

Você pode usar esta matemática para realizar suas análises financeiras.

Imaginando uma ação sólida de trabalho de secagem de madeira considerando reduções de 20%  na umidade base seca (Exemplo: De 50% para 30%) você teria como resultado 8% a mais de carvão sem precisar alterar nada na fábrica de carvão ecológica.

Quanto custa 8% a mais de carvão? Isso depende do seu preço de venda, ma se o custo para secar for igual ou menor a este valor para as condições todas as ações devem ser tomadas pois você irá alem de fazer mais carvão:

  • Aumentar sua produtividade (reduzir o ciclo do seu carvão)
  • Diminuir o seu custo de manutenção dos fornos
  • Diminuir o seu custo de operação do controle de poluição.

Reinvestir todo dinheiro do ganho em carvão em secagem de madeira é justificável pelo ganho indireto que é bastante elevado e iremos apresentar os ganhos nos próximo capítulos.

Produtividade dos fornos e umidade da madeira

água na madeira e ciclo de carbonização

A PRODUTIVIDADE DOS FORNOS AUMENTA ENTRE 0,6-0,9% PARA CADA 1% DE REMOÇÃO DE UMIDADE DA MADEIRA (CONSIDERANDO CICLO DE 12 E 8 DIAS RESPECTIVAMENTE).

Após mensurar mais de 100 fornadas industriais (levantando todas as variáveis possíveis) foi possível traçar alguns valores médios interessantes na produtividade dos fornos de carvão industriais com relação a secagem de madeira ao ar livre.

Se você utilizar sistemas de resfriamento acelerado de carvão estes valores impactam ainda mais de forma significativa no seu ciclo produtivo e nos seus resultados.

O percentual de ganho apenas no tempo de carbonização da madeira será de 2% na produtividade para cada 1% de umidade removida da madeira.

Imaginando uma ação efetiva de secagem de redução de 20% na umidade base seca isso representaria um incremento de produtividade de 12,5%-18% (12 a 18 dias respectivamente)

Algo considerável, pois isso reduz o investimento total ou aumenta-se a produção total sem ampliar sua praça produtiva de carvão vegetal.

Manutenção de fornos e a umidade da madeira

manutenção de fornos e água na madeira

Existem dois elementos que deterioram o equipamento rapidamente, o primeiro é o calor da fase de carbonização e o segundo são as operações de carga e descarga (pancadas com máquinas).

Iremos considerar a deterioração do forno em 50% pela causa do calor.

Iremos considerar que a umidade acrescenta em tempo e calor a deterioração do fornos em 2% a cada 1% de umidade.

Se a deterioração é de 2% com um impacto efetivo no forno pela causa calor de 50% , teremos 50%x2%= 1%. A deterioração do forno para cada 1% de umidade será também de incremento de 1% de manutenção.

Por uma regra simples pode-se afirmar que o meu custo de manutenção aumenta proporcional a minha umidade da madeira na relação de 1%.

Imaginando uma ação efetiva de secagem de redução de 20% na umidade base seca isso representaria uma redução em 20% do custo efetivo de manutenção.

Destacamos que estes valores são uma estimativa para fornos de base de alvenaria.

A umidade atua de forma mais agressiva em fornos metálicos, então além do maior custo do metal, tem-se ainda um maior percentual de deterioração do equipamento (acima de 1%) para tecnologias que tem o aço carbono como estrutura de contenção da carbonização da madeira dos fornos.

Então fique atento a umidade da sua matéria-prima e ao nível de manutenção que o mesmo irá gerar no seu equipamento.

A manutenção de fornos  é uma variável que a maioria dos produtores de carvão vegetal se esquece e não contabiliza na amortização do seu investimento.

Conclusões

Entendo como funciona a lógica de secagem na produção de um carvão ecológico, as facilidades produtivas serão incríveis independente da tecnologia de produção de carvão vegetal escolhida.

Importante destacar que amadeira quando é seca ela atua em 04 vertentes muito claras e interessantes.

A primeira vertente é o rendimento

A segunda vertente é a produtividade

A terceira vertente é manutenção.

A quarta vertente é o controle de poluição.

Combinando estas 04 vertentes, o ganho da sinergia da cadeia produtiva “interna” poderá produzir de 1,5-2% de ganhos reais em produção de carvão ecológico para cada 1% de umidade extraída da madeira.

ganhos acumulados com secagem de madeira na produção de carvão

Seus ganhos podem ser surreais em produção de carvão ecológico se você souber utilizar de todas as ferramentas aqui apresentadas para secar naturalmente de forma efetiva a sua madeira.

Os ganhos em secagem atuam em todas as partes da cadeia produtiva do carvão vegetal

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Informações

Carvoaria Perfeita

Sobre o Autor

Daniel Camara Barcellos,é especialista em Energia de Biomassa e tenho estudado a melhor forma de AJUDAR PESSOAS  a projetarem e operarem unidades ecológicas de carvão vegetal.

Engenheiro Florestal formado na Universidade Federal de Viçosa com especialização em Fontes Alternativas de Energia e Mestrado e Doutorado em Energia de Biomassa.

NOS ÚLTIMOS 20 ANOS já ajudou inúmeras empresas e pessoas a desenvolverem e instalarem unidades ecológicas de carvão vegetal

A partir dos  RESULTADOS COMPROVADOS de unidades sustentáveis  tem como perspectiva de mudar a péssima imagem da produção de carvão vegetal e ter ajudar a alcançar as habilidades necessárias para produzir carvão ecológico

Destina 10% da renda angariada pelos seus treinamentos para AJUDAR CRIANÇAS e famílias de baixa renda a partir da EDUCAÇÃO a se desenvolverem como indivíduos e assim se propiciarem a terem uma VIDA MAIS ABUNDANTE !

Sobre a Fórmula da Carvoaria Perfeita

A FÓRMULA DA CARVOARIA PERFEITA  é a metodologia definitiva de produzir carvão vegetal de forma ECOLÓGICA.

A Fórmula da Carvoaria Perfeita é um treinamento avançado que objetiva treinar pessoas para se tornarem “Experts” em produção de carvão ecológico e se tornarem conhecedores da sabedoria da FÓRMULA DA CARVÃO.

Este  treinamento avançado é único no mundo. Apenas um grupo seleto de pessoas conhecem a fórmula e usufruem do poder da sua transformação.

A FÓRMULA DA CARVOARIA PERFEITA tem transformado vidas e negócios e tem ajudado o segmento a mudar a imagem da produção de carvão vegetal.

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