Cadeia produtiva do carvão vegetal: Mercado, competitividade e sustentabilidade

A cadeia produtiva do carvão vegetal é uma cadeia muito interessante que se integra em outras cadeias

Abaixo colocamos um roteiro do que você irá aprender neste artigo épico sobre cadeia produtiva do carvão vegetal


Este artigo épico tem o objetivo de apresentar um panorama completo de como funciona a cadeia produtiva do carvão vegetal se comporta frente aos diferentes agentes da cadeia produtiva no qual está inserida

E havendo o reconhecimento dos agentes de mercado você pode se antecipar a tendências de preço e especificar nichos específicos para que você alcance o almejado sucesso em produção de carvão vegetal.

Os projetos florestais possuem algumas características específicas como o longo prazo e a elevada complexidade.

Existe ainda um fator denominado risco nos projetos florestais que tem uma relação direta com topografia local .

Nas regiões íngremes (montanhosas) se requer esforço muito intenso de trabalho (e dinheiro), ao contrário do que ocorre nas regiões planas com tecnologia mais intensiva no emprego de máquinas, o que facilita o cumprimento de um projeto de cunho florestal.

O risco de um empreendimento florestal aumenta de forma considerável neste tipos de áreas declivosas.

A produção de carvão vegetal apesar de tradicionalmente ser um sistema produtivo rústico e complexo ele também é afetado por estas características.

Entender os principais agentes da cadeia produtiva é essencial para obter o sucesso em empreendimentos agrários.

A produção, comercialização e industrialização do carvão vegetal estão inseridos em uma cadeia, a cadeia produtiva do carvão vegetal.

O desenho da cadeia produtiva consiste na delimitação da cadeia, identificando os segmentos que a compõem, bem como o fluxo físico dos materiais desde a origem (segmento insumos) até o consumidor final.

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Cadeia produtiva da madeira

cadeia produtiva da madeira

A cadeia produtiva da madeira constitui uma atividade econômica complexa e diversificada de produtos e aplicações energéticas e industriais.

É uma macro-cadeia que está inserida a cadeia produtiva do carvão vegetal

A cadeia produtiva da madeira é caracterizada pelo conjunto de atividades que asseguram a produção, a colheita e a transformação da madeira até o estágio em que ela, por associação de seus derivados a outras matérias, perde a característica de constituinte essencial do produto.

A cadeia da madeira pode ser definida ainda como o conjunto de atividades econômicas que gravitam em torno de:

  • Gestão do projeto
  • Da exploração da floresta,
  • Da comercialização e
  • Da transformação da madeira.

Transversalidade da cadeia produtiva da madeira

Do ponto de vista transversal, distinguem-se os processos sucessivos de transformação que a madeira.

Saindo de um estado bruto (floresta) a um estado considerado como final (madeira transformada).

Geralmente na sucessão da cadeia compreende-se:

  • A silvicultura (plantio e manutenção das florestas),
  • A colheita (extração da madeira),
  • A primeira transformação (produto primário)
  • A segunda transformação (produto secundário).

A cadeia produtiva do carvão vegetal fica inserido dentro da cadeia produtiva da madeira.

Verticalidade da cadeia produtiva da madeira

Sobre o plano longitudinal, podem-se distinguir três grandes subcadeias em função das distinções de madeira bruta:

  • Madeira para energia (lenha e carvão vegetal),
  • Madeira para processamento mecânico (lenha e cavaco)
  • Madeira industrial (celulose, madeira serrada, outros).

Cada uma dessas grandes categorias de madeira bruta se encontra de fato na origem dos fluxos importantes, bem diferenciados, mas que podem se interpenetrar.

Estas cadeias em função do mercado vão influenciar de forma significativa nos preços da madeira.

Estas categorias permitem aos donos de madeira, principalmente pequenos, optarem por mercados mais atrativos e um destes mercados é o da cadeia produtiva do carvão vegetal.

A cadeia produtiva do carvão vegetal

cadeia produtiva do carvão vegetal

O carvão vegetal é uma matéria prima renovável, pouco poluente quando comparado a combustíveis fosseis e é usado como agente redutor na fabricação de ferro-gusa, produção de ligas metálicas e como fonte de energia geralmente térmica.

O carvão vegetal é utilizado como fonte de energia térmica e redutora para produzir ferro metálico a partir do minério de ferro desde o início da indústria do aço.

Como não há enxofre em sua composição, o carvão vegetal melhora a qualidade do ferro-gusa e do aço produzido, aumentando, consequentemente, o preço final do produto.

Na cadeia produtiva do carvão vegetal temos o mercado doméstico que direciona o produto  na forma de “carvão para churrasco”, aos supermercados, às churrascarias, aos restaurantes e outros que compõem importante mercado para a indústria de carbonização.

O principal mercado para o carvão são as siderúrgicas, que o utilizam como termo redutor do minério de ferro transformando em ferro gusa.

Fluxos e sistemas produtivos da cadeia produtiva do carvão vegetal

Além do fluxo do produto, existe o fluxo financeiro e o fluxo da informação na cadeia produtiva do carvão vegetal que integra os seguintes sistemas

  • Sistema financeiro (bancos e entidades financeiras)
  • Sistema de P&D (universidades e entidades de pesuisa)
  • Sistema de Ensino (universidade e faculdades e escolas)
  • Sistema político (políticas públicas nacionais e regionais)
  • Sistema de Logística (agentes proprietários de veículos específicos)
  • Sistema de estocagem (armazenagem
  • Sistema de extensão (agentes multiplicadores de conhecimento)
  • Sistema de preços (como o mercado reage aos elos)
  • Sistemas sociais (ongs e entidades de classe)
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Estrutura da cadeia produtiva do carvão vegetal

estrutura da cadeia produtiva do carvão vegetal

Quanto à estrutura, o setor de produção de carvão vegetal caracteriza-se por uma estrutura heterogênea, na qual convivem empresas de diferentes tamanhos, com distintas características técnicas e organizacionais.

De um lado, encontram-se as médias e grandes empresas, que atendem, em grande escala, ao mercado siderúrgico.

Estas empresas são em pequeno número, com significativa concentração da produção e com maior organização do seu negócio e relativa autonomia de mercado.

De um outro lado temos as pequenas empresas ou produtores autônomos, que atendem ao mercado aberto e, eventualmente, às siderúrgicas.

Estas pequenas empresas são pulverizadas e não concentradas geograficamente, na qual prevalecem pequenos empreendimentos familiares.

Este empreendimentos familiares são caracterizados pelo uso de tecnologias de baixo nível, em sua maioria com condições de trabalho insatisfatórias e baixo rendimento produtivo.

O transporte do carvão vegetal siderúrgico é feito pelo produtor rural, pelas indústrias siderúrgicas e pelos intermediários.

Para ser transportado, o carvão vegetal necessita estar acompanhado da nota fiscal e Documento de Origem Florestal – DOF emitida pelo Ibama, válida em todo o território nacional ou outro documento específico do estado.

Diferentes perfis de produtores de carvão vegetal

perfil do produtor de carvão vegetal

O produtor profissional

Indivíduo que tradicionalmente fabrica e vende carvão vegetal, adquirindo florestas de fazendeiros e reflorestadores, pagando pela madeira retirada.

Este produtor é constante, muda de local, mas sempre produz. Sofre com as variações de preços, mas ganha na alta. Mantém o mercado ativo em qualquer época. –

O fazendeiro: nem sempre terceiriza o serviço e faz o carvão para pagar o custo do desmate e destoca na área para pasto e plantio.

Este fornecedor aparece quando tem área a explorar na cadeia produtiva do carvão.

O intermediário ou atravessador

Indivíduo que compra o carvão e revende ao consumidor.

Geralmente possui caminhões, compra de produtores pequenos que têm dificuldades de regularizar a produção.

Nas épocas de oferta de carvão, ele compra carvão a preços mais baixos, tendo uma margem de lucro compensadora.

Mas logo que o preço começa a cair, ele também desaparece, voltando depois no novo ciclo.

As reflorestadoras

Quando na fase de preparação do terreno, geralmente terceirizam a fabricação de carvão com o produtor profissional, mas, ao fazer carvão da floresta homogênea, montam sua própria estrutura.

Administram todo processo de forma vertical seja “primarizando” ou “terceririzando” as atividades por contratos.

O produtor eventual ou de ocasião

Indivíduo que abandona outras atividades menos rentáveis, nos períodos em que o preço do carvão está em alta, tendo boa margem de lucro.

Este produtor é causador de oferta acima do consumo normal, o que provoca baixa dos preços e desestímulo ao produtor profissional.

Logo que a margem de lucro fica pequena, ele sai do mercado e da cadeia produtiva do carvão.

Produtores independentes

O grupo de produtores independentes é formado por produtores de florestas plantadas e exploradores de matas nativas.

Os produtores de florestas plantadas são responsáveis por uma parcela ainda pequena no fornecimento de carvão vegetal.

São agricultores grandes, médios e pequenos, que cultivaram o eucalipto com o intuito de obter madeira para o próprio consumo e comercializar o excedente, sem estar diretamente integrados às indústrias consumidoras de carvão vegetal.

Estes produtores tem crescido na cadeia produtiva do carvão vegetal.

Produtores fomentados

Nos últimos anos, as empresas consumidoras de carvão vegetal estão utilizando como estratégia para o incremento de novos plantios florestais a modalidade de integração ou fomento florestal.

O fomento florestal passou a ser o mecanismo preferencial para ampliação da base florestal necessária ao abastecimento de matéria-prima em empreendimentos dos segmentos madeireiro, de papel, celulose e energético.

Os produtores fomentados estão amplamente presentes hoje na cadeia produtiva do carvão vegetal.

TIMOs – Timberland Investiments Management Organizations

São formadas por empresas de grupos de investidores que investem na atividade florestal.

Estas organizações funcionam como elos entre os investidores e os investimentos florestais, levantando fundos, analisando o mercado florestal, adquirindo propriedades, efetuando e gerenciando plantações florestais.

Os fundos de investimentos em ativos florestais, quase sempre vinculados a fundos de pensão ou outros constituídos para esse fim.

Os recursos podem ser provenientes de capital nacional ou estrangeiro e não estão, necessariamente, vinculados a projetos industriais.

A cadeia produtiva do carvão vegetal integrou de forma intensa este novo perfil de produtor.

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A cadeia produtiva do carvão vegetal para uso siderúrgico – História

história da siderurgia no Brasil

Damos um foco especial ao consumo de carvão vegetal pela siderurgia pois é o grande consumidor de carvão brasileiro.

O uso siderúrgico consome mais de 80% de todo o carvão vegetal produzido. Então a siderurgia é um regulador de peso no preço do carvão vegetal

Se formos analisar em nível mundial os altos fornos a carvão vegetal representam apenas 1% da produção de ferro gusa no mundo e 1/3 da produção brasileira

O carvão vegetal chega a atingir 70% do custo de produção do ferro gusa em alguns casos.

As siderúrgicas que consomem carvão vegetal no lugar do carvão mineral  apresentam maior vantagem comparativa em termos ambientais e sociais.

Atualmente, o maior consumo de carvão vegetal está concentrado em polos siderúrgicos. Esses polos estão localizados em:

  • Minas Gerais (maior consumidor de carvão vegetal),
  • Polo siderúrgico de Carajás, localizado nos Estados do Maranhão e Pará, onde predomina o consumo de carvão obtido de matas nativas.
  • Polo do Espírito Santo e
  • Polo do Mato Grosso do Sul (Corumbá, Aquidauana, Ribas e Rio Pardo), mais novo polo guseiro do país.

Estes 04 polos absorvem a maior parte do carvão vegetal da cadeia produtiva do carvão vegetal.

Breve Histórico da cadeia siderúrgica o grande consumidor de carvão

O carvão vegetal foi o grande responsável pelo surgimento da indústria siderúrgica no Brasil.

A falta de reservas de carvão mineral, disponibilidade de florestas e vegetação nativa propiciaram as condições para a utilização do carvão vegetal como termo redutor na produção siderúrgica.

O carvão surgiu em escala comercial no estado de Minas Gerais, responsável na década de 1950 e 1960 por 90% da produção de ferro-gusa do país.

Na década de 1970 o Brasil tornou-se o maior produtor polo siderúrgico a carvão vegetal do mundo

De 1979 a 1988 a taxa de consumo de carvão vegetal oriundo de mata nativa evidenciou um crescimento de 189%.

Neste mesmo período a taxa de consumo de carvão proveniente de florestas plantadas cresceu 369%.

Em 1988 a madeira de reflorestamento forneceu o  equivalente a 16 milhões de metros cúbicos de madeira para a produção do carvão vegetal.

Na década de 60 surgiram os plantios florestais fortemente influenciados pelas políticas de incentivos fiscais do Governo Federal.

Entre 1966 e 1988, houve elevado aumento na produção de carvão vegetal.

Diante da crise do petróleo (décadas de 70 e 80), surgiram várias indicações para o uso de opções energéticas novas e renováveis, e então a biomassa foi caracterizada como um grande potencial energético, incluindo o carvão vegetal.

Outros fatos históricos da cadeia siderúrgica

O consumo de carvão vegetal de matas nativas foi precursor de desmatamentos e consequentemente perturbação do meio ambiente.

Com exaustão das matas nativas passaram a substituir esse consumo por carvão de florestas plantadas.

O consumo de carvão vegetal no País no ano de 2009 foi de 22 milhões de metro de carvão (mdc), o carvão de matas nativas foi responsável por aproximadamente 45% do consumo, justificado pela insuficiência de florestas plantadas para esse fim.

O eucalipto é a principal espécie utilizada em plantios florestais para fins industriais no Brasil incluindo o carvão vegetal.

A produtividade brasileira em florestas é considerada a maior do mundo e a sua área plantada ocupa a 6º posição  segundo a FAO.

O Brasil aumentou sua área de plantios florestais na última década. Esse fato aconteceu em função de políticas incentivadoras, como programas de fomentos, linhas de financiamento e crédito.

Segundo ABRAF (Associação Brasileira de Florestas Plantadas) o aumento da área plantada com eucalipto no Brasil é resultado de vários fatores, entre eles:

  • a crescente demanda de madeira, o rápido crescimento em ciclo de curta rotação,
  • a alta produtividade florestal e
  • investimentos em tecnologias que visam aprimorar as propriedades da madeira para atender diferentes mercados.

A siderurgia a carvão vegetal corresponde a 18,4 % da distribuição de áreas com plantios florestais com eucalipto

O que corresponde a aproximadamente a quase um milhão de hectares de florestas plantadas com finalidade de produção de carvão vegetal.

Dentre os segmentos industriais consumidores de madeira de eucalipto o setor de papel e celulose apresenta 71,2% da distribuição da área plantada e geralmente pressiona na forma de consumo em áreas destinadas a produção de carvão vegetal.

Polos produtores de carvão vegetal

polos consumidores de carvão vegetal

Os principais polos produtores de carvão no país estão localizados no estado de Minas Gerais, Pará e Maranhão, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo.

O Polo de Minas Gerais

A região do Cerrado concentra grande parte da produção de carvão vegetal, o que pode ser explicado pela concentração de reservas de minérios no estado de Minas Gerais.

Em Minas Gerais está situado o quadrilátero ferrífero região fundamental para o desempenho da balança comercial brasileira.

O quadrilatério ferríferro compreende os município de Belo Horizonte, Ouro Preto, Santa Bárbara, Itabira e Mariana, e é responsável por cerca de 60% da extração de minério de ferro.

Outro produto de destaque em MG é a produção de aço, esse item tem como principal finalidade a exportação e o abastecimento da indústria automotiva, principalmente no setor de autopeças.

Outros setores também tem participação na compra de ferro-gusa e aço, tais como o ferroviário, infraestrutura e o de bens de capital.

O estado de Minas Gerais apresenta como principais agentes reflorestadores em ordem de importância as indústrias:

  • Siderúrgicas independentes (guseiras),
  • Siderúrgicas integradas
  • Produtoras de celulose (inclusive aquelas com unidades industriais localizadas em outros estados como SP, BA e ES);
  • Produtoras de ferroliga;
  • Produtores independentes.

O aumento na produção se faz necessária para atender a nova legislação ambiental que impulsiona a redução de carvão vegetal oriundo de florestas nativas e atenda a crescente demanda de florestas plantadas.

O Polo de Carajás

A Região Amazônica também apresenta outro grande polo produtor e consumidor de carvão vegetal situado na região dos Carajás, no estado do Pará.

Na região de Carajás encontra-se o segundo polo guseiro do Brasil na fabricação de ferro – gusa.

O processo de ocupação foi semelhante ao que ocorreu no estado de Minas Gerais:

  • Madeira “gratuita.
  • Reservas de minério de ferro.

O deslocamento nas últimas décadas de siderúrgicas para a Amazônia Oriental brasileira ocorreu principalmente nos anos 80, por meio de políticas de incentivo fiscal e creditício pelo Estado, vinculados ao Programa Grande Carajás – PGC, atualmente extinto.

Os planos estatais daquela época tinham como objetivo a criação de um complexo industrial no corredor da Estrada de Ferro Carajás a partir das atividades siderúrgicas.

Porém o que se assistiu não foi o surgimento de um complexo industrial e sim a ampliação da produção de ferro-gusa no Corredor da Estrada de Ferro Carajás, consumindo grandes quantidades de carvão vegetal como insumo em seu processo produtivo.

No ano de 2009, 40% da produção de ferro-gusa à base de carvão vegetal foi concentrada na região dos Carajás e somente 10% da demanda de madeira era atendida por florestas plantadas.

O restante era suprido por resíduos de serraria, o que evidentemente é oriundo de matas nativas. As unidades de produção desse polo são voltadas para o mercado de exportação pelo Porto de Itaqui.

Polo do Mato Grosso do Sul e Espírito Santo

O polo guseiro mais recente no Brasil é o do Mato Grosso do Sul. A primeira empresa instalada na região iniciou a operação em 1995. E

Esse polo também utiliza carvão de resíduos naturais e deve continuar o consumo nos próximos anos. Há um déficit total de 64.000 hectares de floresta de eucalipto para suprir as empresas consumidoras de carvão.

O outro polo guseiro esta localizado no Espírito Santo, apresenta quatro usinas em funcionamento e uma demanda de colheita anual de 12.000 hectares de eucalipto segundo dados da A.M.S. (2009).

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Mercado de carvão vegetal

mercado de carvão vegetal

O Carvão vegetal é umas das fontes de energia utilizadas no Brasil.

O preço do carvão vegetal é regulado por:

  • Preço do aço: quanto maior o preço do aço, maior o preço do carvão vegetal
  • Preço do carvão mineral: quanto maior o preço carvão mineral, maior o preço do carvão vegetal
  • Valor do Dólar: quanto mais valorizado do dólar, maior é o preço do carvão vegetal

Fatores como temperatura, disponibilidade de áreas agricultáveis e clima, influem na viabilidade da produção de energia por meio de recursos renováveis incluindo o da cadeia produtiva do carvão vegetal

A matriz energética e o carvão vegetal

O consumo de energia renovável no Brasil por biomassa de cana, hidráulica e eletricidade, lenha e carvão vegetal, lixívia e outras renováveis é considerado um dos mais altos do mundo, com aproximadamente 44,1% de participação na Matriz Energética Brasileira.

As contribuições para o consumo energético do país estão divididas em setores, são eles: serviços, agropecuária, setor energético, residências, transportes e indústrias. A cadeia produtiva do carvão vegetal afeta de forma considerável a indústria voltada para metais.

O setor de indústrias foi responsável por 35,9% do consumo de energia em 2011. O carvão vegetal por respondeu pela oferta de 5% do total para esse setor segundo dados da EPE em  2012.

A produção de carvão vegetal está concentrada nos seguintes estados do Brasil: Pará; Maranhão; Piauí; Bahia; Minas Gerais; Paraná, Mato Grosso do Sul; Mato Grosso e Goiás.

Os destaques de produção provenientes do extrativismo, com 90% do obtido no país, no ano de 2010, foram: Maranhão, Mato Grosso do Sul, Bahia, Goiás e Pará segundo dados IBGE.

Tentando sair da crise na cadeia produtiva do carvão

Desde então, até ano de 2016 o setor não mostrou reação significativa de crescimento.

Essa crise afetou diretamente o setor florestal, principalmente o setor de carvão vegetal, pois ele é insumo para produção de ferro-gusa e aço.

A diminuição da produção desses subprodutos foi uma das consequências desse período recessivo, pois a siderurgia no Brasil é voltada, sobretudo, para o mercado externo.

Competitividade da cadeia produtiva do carvão vegetal

competitividade do mercado de carvão vegetal

O Brasil é o maior produtor mundial desde o século XIX de carvão vegetal.

A indústria brasileira tem como base um modelo exportador, influenciado pelas commodities ou pela larga utilização de produtos provenientes de recursos naturais, abundantes no meio.

Isso gera, em determinados momentos de instabilidade, tanto na economia global quanto na economia doméstica, depreciações da taxa de câmbio, desvalorização do real e aumento de vendas desses produtos.

A cadeia produtiva do carvão vegetal está inserida na indústria de base florestal.

Sua competitividade se encontra em processo de redução no cenário internacional, em função de fatores sistêmicos. Conforme dados da ABRAF, (2012) os principais fatores são:

  • Aumento de salários, o que afeta diretamente os custos industriais.
  • Tarifa de energia elétrica que é uma das mais caras do mundo, no setor industrial, o que pode ser explicado pela sua carga tributária.
  • O elevado custo de produção, relacionado ao cumprimento de normas fiscais no país.
  • O custo de logística no Brasil é equivalente a 9,5% da receita líquida, enquanto nos EUA este item é de aproximadamente 7%.

A crise de 2008 atingiu a siderurgia, principalmente no momento em que afetou as indústrias de construção civil e automobilística.

Cerca de 30% das vendas dos produtores de aço e 60% dos produtores de ferro-gusa são dirigidos à exportação

Somada à crise mundial, há diversos fatores que contribuíram para desativação e diminuição da capacidade instalada das indústrias produtoras de ferro-gusa independente. Dentre esses fatores, tem-se destaque:

  • a elevação das taxas de juros;
  • a sobrevalorização cambial;
  • as dificuldades burocráticas na exportação;
  • a ampliação, consolidação do Market share de competidores tradicionais como a Rússia e a Ucrânia.

O Brasil necessitará de aproximadamente dois milhões de hectares de florestas plantadas para atender o mercado de gusa.

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Sustentabilidade da cadeia produtiva do carvão vegetal

sustentabilidade do carvão vegetal

No contexto de sustentabilidade, tem-se o aumento do interesse na substituição de combustíveis fósseis por fontes de energias alternativas como o carvão vegetal e de menor impacto ambiental

O  Brasil assumiu, na COP-15, um compromisso com as Nações Unidas para reduzir, até 2020, de 8 a 10 milhões de toneladas de CO2 na siderurgia.

Entre uma das formas viáveis de se alcançar essa meta está o uso do carvão vegetal advindo de floresta plantada para a produção do ferro-gusa.

Essa pressão de mercado crescente leva à procura pelo carvão vegetal, como fonte de energia renovável.

Rotas de produção na siderurgia

Na siderurgia existe a opção de duas rotas de produção:

  • a primeira, ao utilizar o carvão mineral como insumo na produção do ferro gusa;
  • A segunda, ao inserir o carvão vegetal. A etapa extrativista mineral é mais onerosa e requer desmatamentos de grandes áreas.

Comparando esses dois tipos de produção, as indústrias que utilizam o carvão vegetal, sem a opção de desmatamentos de florestas nativas, seriam mais ecológicas.

Entretanto, as siderúrgicas mais eficientes são preparadas para operar apenas com o carvão mineral

A partir dessa questão, a madeira tem se tornado uma opção para a geração de energia, principalmente a partir da criação de políticas setoriais, para o incentivo ao desenvolvimento de tecnologias mais eficientes na conversão da biomassa em energia.

A economia do carbono e do enxofre na siderurgia a carvão vegetal

Empresas siderúrgicas integradas que utilizam carvão vegetal proporcionam uma redução de carbono lançados na atmosfera, ou seja, são mais sustentáveis, somente quando consomem carvão vegetal oriundo de floresta plantada.

Acontece uma redução de quase 18 t de CO2 e 7 kg de SO2 para produção de uma tonelada de aço.

Essas usinas por meio da comercialização em larga escala de aço proveniente de uma indústria com baixas emissões de CO2 apresentam a possibilidade de influenciar a competitividade brasileira no mercado mundial.

Carvão mineral vs carvão vegetal

Ao comparar o processo de produção do ferro gusa utilizando os insumos, carvão vegetal e carvão mineral, pode se inferir que a utilização do carvão vegetal é mais sustentável.

O custo de implantação de uma siderúrgica à carvão vegetal é mais oneroso, devido ao investimento nas florestas.

O carvão mineral e o vegetal possuem funções semelhantes na siderurgia. O coque  de carvão mineral possui propriedades físicas, químicas e geométricas diferentes das do carvão vegetal.

Quanto custa carvão vegetal e mineral

Em 2011 foi realizado um estudo comparando o preço dos redutores, carvão vegetal e coque, para a produção do ferro-gusa, tendo como base altos-fornos com capacidade produtiva de 300 mil toneladas por ano. Como resultado, ao se utilizar o carvão vegetal, a média encontrada para os custos esteve entre 45% e 49%. Nos altos fornos a coque de carvão mineral, o resultado esteve entre 49% a 54 % dos custos

Cabe ressaltar que o Brasil não apresenta reservas minerais suficientes, e a produção do ferro-gusa a carvão vegetal, quando de florestas plantadas é mais sustentável, pois retém mais CO2 e libera mais O2.

Como exemplo, pode-se citar um projeto executado para produção de dois altos fornos na Siderúrgica Ferro Carajás S.A.: de um total de US$ 116,5 milhões de investimento, 58,51% dos gastos foram destinados à silvicultura e à montagem das estruturas direcionadas ao carvoejamento; o restante, em torno de 41,49 %, foi investido no projeto de dois fornos segundo MONTEIRO no ano 2006.

Fatores limitantes da cadeia produtiva do carvão vegetal

fatores limitantes da cadeia produtiva do carvão vegetal

Existem 03 categorias de fatores limitantes da cadeia produtiva do carvão vegetal

  • Os fatores limitantes tecnológicos
  • Os fatores limitantes  não tecnológicos
  • Os fatores limitantes de mercado

Fatores limitantes tecnológicos

Os fatores limitantes da cadeia produtiva do carvão vegetal a nivel tecnológico podem ser assim enumerados:

  • Falta de material genético adequado para produção de carvão vegetal;
  • Alto custo de fertilizantes;
  • Alto custo de máquinas e equipamentos na colheita florestal;
  • Deficiência no manejo florestal;
  • Carreadores nas fazendas de produção de eucalipto + estradas
  • Falta de reaproveitamento de gases dos fornos de produção;
  • Baixa qualidade da madeira;
  • Pouco desenvolvimento e incorporação de novas tecnologias;
  • Baixo rendimento dos fornos utilizados para produção de carvão vegetal;
  • Alto custo na aquisição de maquinário utilizado no processo de produção de carvão vegetal;

Fatores limitantes não tecnológicos

Os fatores limitantes da cadeia produtiva do carvão vegetal a nível não tecnológico podem ser assim enumerados:

  • Alto custo da Terra;
  • Falta de mão de obra qualificada;
  • Legislação Ambiental;
  • Baixa qualidade ou disponibilidade de rodovias;
  • Distância das unidades produtivas de madeira e carvão vegetal dos polos consumidores
  • Baixa produção de carvão vegetal oriundo de floresta plantada;
  • Falta de incentivo ao fomento florestal;

Fatores limitantes do mercado de carvão vegetal no Brasil

Os fatores limitantes da cadeia produtiva do carvão vegetal a nível não tecnológico podem ser assim enumerados:

  • Planejamento de suprimento do carvão vegetal pelas Siderúrgicas;
  • Competição com o carvão mineral para produção de ferro;
  • Aquisição e uso de carvão vegetal oriundo de mata nativa;
  • Qualidade do carvão vegetal (teor de finos
  • Aumento da produção de ferro provocado por preços favoráveis no mercado internacional.

Conclusões

A cadeia produtiva do carvão vegetal é uma cadeia bastante complexa e com muitas particularidades.

Existem poucos estudos sobre o e as interações acontecem de forma orgânica e geralmente regionalizada.

No entanto destacamos que a influencia acontece globalmente por preço de commodities específicas como:

  • Preço de ligas metálicos como silício
  • Preço do ferro-gusa e aço
  • Preço do carvão mineral
  • Preço do dólar

No entanto os custos de produção são regionalizados influenciados por custos como mão de obra, taxa de juros no país, preço de combustíveis e logística de transporte de matéria-prima e produto.

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Bibliografia recomendada

Recomenda-se alguns trabalhos de cadeia produtiva a saber (clique nos links para acessar o trabalho)

Informações

Sobre o Autor

daniel barcellos

Daniel Camara Barcellos,é especialista em Energia de Biomassa e tenho estudado a melhor forma de AJUDAR PESSOAS  a projetarem e operarem unidades ecológicas de carvão vegetal.

Engenheiro Florestal formado na Universidade Federal de Viçosa com especialização em Fontes Alternativas de Energia e Mestrado e Doutorado em Energia de Biomassa.

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